Cibersegurança em um mundo Pandêmico

“Os hackers estão usando ransomware para manter hospitais e serviços médicos reféns digitalmente, impedindo-os de acessar arquivos e sistemas vitais até que um resgate seja pago”. O alerta emitido pela INTERPOL (Inteligência Policial Internacional) no início de 2020, aos seus 194 países membros, indica o período de vulnerabilidade e risco que o mundo enfrenta durante a pandemia do coronavírus (COVID-19).

As esferas mais propensas a sofrerem ataques cibernéticos, são as multinacionais, empresas de tecnologia e o sistema financeiro. Durante a pandemia, no entanto, têm sido exponenciais as tentativas de ataques ransomware contra infraestruturas e organizações hospitalares. Somente no Brasil, no primeiro trimestre de 2020, as tentativas de golpe ransomware, ultrapassaram a marca de 350%.

Um estudo da Universidade norte americana Maryland, revelou que os hackers atacam a cada 39 segundos, em média 2.244 vezes por dia. Os primeiros ataques cibernéticos surgiram na década de 80, nos Estados Unidos, causando prejuízos milionários em instituições, universidades, bases militares e laboratórios, como a Lawrence Berkeley National Laboratory (1986), Griffiss Air Force Base (1994) e a Força Aérea em San Antonio (1998).

Em dezembro de 1998, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos criou a Força-Tarefa Conjunta de Defesa de Redes de Computadores, com o intuito de proteger as redes e sistemas do departamento contra futuros invasores. Com o nível crescente de ataques cibernéticos, originados por hackers e organizações criminosas, diversos países têm se preocupado em priorizar normas, e políticas de segurança nacional e defesa, através do uso da cibersegurança, com o intuito de proteger estratégias de governo, informações sigilosas, como dados comerciais, bancários e financeiros, além de resguardar dados pessoais de seus cidadãos.

Sendo assim, em 2001 foi criada a Convenção de Budapeste ou Convenção sobre o Cibercrime, um tratado internacional de direito penal, com o objetivo de definir em conformidade sobre os crimes cibernéticos e políticas de proteção. Conforme a UIT (União Internacional das Comunicações- ONU), cibersegurança é “a coleção de ferramentas, políticas, conceitos de segurança, salvaguardas de segurança, orientações, abordagens de gestão de risco, ações, treinamentos, melhores práticas, seguros e tecnologias que podem ser usados para proteger o ambiente cibernético, a organização e propriedades de usuários.”  

Nos últimos cinquenta anos, a internet tem propiciado ao mundo um ambiente ilimitado de possibilidades e informações. Uma ferramenta até então, conectada diretamente ao mundo acadêmico e profissional, tornou-se acessível e manuseada em inúmeras esferas. Esse progresso viabilizou uma nova dinâmica profissional, política, econômica e cultural. A demanda social e a crescente vinculação do homem à internet tornaram-se imprescindível a elaboração de políticas públicas, normas e instrumentos que garantem maior proteção de dados de civis, empresas e governos.

Segundo a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), a tecnologia traz incontáveis benefícios à sociedade, simplificando procedimentos e serviços de forma eficaz, através da flexibilidade, velocidade e expansão dos meios de comunicação. Contudo, o uso contínuo de novas ferramentas, amplifica os riscos de ataques cibernéticos e a eficiência dos seus três pilares: a confidencialidade, integridade e disponibilidade. A cibersegurança é designada como um mecanismo de proteção contra o inimigo. Pode ser denominado como indivíduos, grupos ou organizações, formadas com o intuito de violar, expor e manipular dados, informações, estratégias ou tecnologias de terceiros, visando ganhos financeiros, influência, sabotagem ou vantagens competitivas.


Em seu artigo Cybersecurity and cyberwar: what everyone needs to know, Friedman e Singer defendem a relevância da confidencialidade para manter restrita e resguardada as informações, sendo estas de grande valor, principalmente no mundo virtual. As normas e medidas de segurança se fazem necessárias para se garantir a privacidade do contéudo, independente do destinatário e sua finalidade. A integridade indica se o sistema é seguro e não está sujeito à fraudes e alterações de terceiros. Esse pilar é essencial para garantir que não haja violação de dados e garantir a transmissão de informações verídicas.


A disponibilidade em cibersegurança condiz com a funcionalidade do sistema. É necessária pra detectar se houve violação de algum programa ou intervenção criminosa, durante o processo de funcionamento. Qualificada como uma ramificação da segurança da informação, a cibersegurança visa à aplicação de diversas ferramentas, métodos e tecnologias, com o intuito de proteger sistemas, dados e informações, de ataques cibernéticos, que abrangem níveis distintos de complexidade, danos e profundidade.